22 de jul de 2011

Como Fazer Quadrinhos - Estruturando a Idéia

Bom, eu tinha alguma coisa parecida em mente e o Juax pediu que fizesse um post ensinando a fazer quadrinhosVale ainda lembrar que o que estamos comentando aqui é só uma pincelada. Então, depois que ler, estude tanto técnicas de desenho quanto técnicas de roteiro. "Ah, mas roteiro tem técnica? Não é só escrever?" Roteiro não é redação, vale lembrar. Precisa ser bem estruturado e avaliado. Ninguém constrói uma casa sem saber se vai ter um ou dois andares. Da mesma forma, a sua história precisa ser planejada antes de se tornar desenho.



Mas tem uma coisa que precisa ser entendida acima de tudo, antes de começar a se fazer um roteiro para HQ. O que o Cinema, a Internet, a TV, o Rádio e a Literatura tem em comum? Elas são meios de comunicação. Os Quadrinhos também são. Super heróis e cartum são apenas dois gêneros dentro de um contexto que é imensamente maior que eles. Então, quando for escrever e desenhar pense nessa questão, que você tem uma mensagem que quer passar e que a HQ vai ser o meio utilizado. 







A Idéia




Primeiramente, escolha que tema vai trabalhar, quem é seu público, quanto espaço você vai usar, os recursos visuais que você tem disponíveis. Vai ser comédia? Vai ser drama? Terror? Vai ser uma tirinha? Vai ser uma saga dividida em várias partes? E os personagens? Como são? O quanto você vai aprofundá-los no trajeto? E o universo em a história se passa, como é? O quanto deles vamos conhecer? Você não precisa sentar em uma sala sozinho e pensar horas a fio em relação a isso. Estruture e deixe fluir naturalmente.


Depois de saber sobre o quê vai ser sua história, é preciso estruturá-la. Pense primeiro no tamanho da história e por quanto tempo pretende publicá-la.  Se vai ser apenas uma tirinha, talvez não exija tanto planejamento quanto uma grande saga. Basicamente toda história pode ser dividida em 3 atos:


Começo, Conflito e Resolução.


Começo: Não tem como ser mais auto explicativo que isso. É como sua história vai começar. Esta fase é crucial porque ela serve para capturar o leitor, então ela vai apresentar o protagonista e os elementos que vão gerar a identificação com aquela história. Isso deve ser feito se adaptando a cada formato. Se estiver fazendo apenas uma tirinha, talvez a identificação pode estar num primeiro quadrinho. 


Vamos usar como exemplo esta tirinha do Calvin.


  No primeiro quadrinho, o Calvin apresenta um problema. Ele é totalmente direto: "Cadê minha jaqueta?" Qual de nós nunca perdeu nada e acabou procurando igual maluco por toda a casa? Então, nessa hora o leitor acaba se identificando, já que este é um problema comum. O fato do personagem ser carismático é outro fator de vital importância. Por mais que seu protagonista vá passar por aventuras fantásticas, explore coisas comuns às pessoas, como alegria, medo etc. Um personagem não é legal só porque veste uma armadura ou tem garras, o já famoso "massavéio", ele acaba sendo legal porque as pessoas vêem alguma coisa que causa, de novo, a identificação.

No caso do cartum, é mais complicado desenvolver um personagem profundamente pela questão de espaço/tempo (de leitura). Numa HQ longa, pode se fazer isso gradualmente, mas o cartum precisa ser mais ágil. Sendo assim, vale sugerir o comportamento e a personalidade através do design dos personagens. Olhando Calvin, por exemplo, vemos exatamente o que ele é: um garoto comum. 
Quando a identificação já estiver feita, é apresentado o desafio. o que o personagem vai ter de enfrentar?




Conflito: Nesta etapa já estamos envolvidos com o protagonista, com o mundo e com alguns coadjuvantes e "figurantes" e já sabemos o que ele (ou eles) vai (ou vão) ter de enfrentar. Agora começamos a ver os desafios se colocando diante do personagem principal. Então deixamos o mundo comum, a zona de conforto e embarcamos na assim chamada aventura. Que desafios seu personagem vai enfrentar? Por quê? Como ele vai ser transformado durante a aventura? Que resultados isso vai ter no público? No caso do Calvin, este desafio foi procurar sua jaqueta por toda a casa sem ter ninguém pra lhe ajudar, por mais que isso tenha sido mostrado em apenas dois quadrinhos, seu modo de falar nos mostra o quanto ele procurou e está cansado disso. 



Resolução: novamente, muito auto explicativo. É o final da história? Sim. Mas não apenas isso. Você preparou o público pra isso. Seu personagem enfrentou diversos desafios para chegar a esse momento. Dizem que se um filme é bom, mas seu final for ruim, acaba estragando ele por inteiro. Quando alguém acompanha uma história, acaba criando suas próprias expectativas enquanto se envolve com os personagens. Imagine que você acompanha um filme sobre um lutador de boxe. Ele passa por diversos desafios, sofre como um condenado durante o filme inteiro e quando está frente a frente com seu maior inimigo,   sai correndo como mulherzinha e o filme acaba. Isso nunca vai agradar ninguém, mas nem se fosse paródia. Se você acompanhou os desafios do protagonista, é porque quer vê-lo vencedor no final do filme. Isso causa a sensação de recompensa no público e isso é vital para que sua produção seja uma boa memória na cabeça de quem acabou de ler/assistir seu produto. 



No caso do Calvin, a recompensa para ele foi encontrar a jaqueta, mas para o leitor a recompensa é a piada: "Quem foi que colocou neste armário estúpido?"


Dependendo do formato, duração e diversos elementos da sua HQ, esses elementos devem ser definidos com mais precisão, mas basicamente, todas as histórias possuem estas 3 etapas.
Acho que vale relembrar alguns posts que fiz que acabam sendo úteis:



@Renan_Ishin 


A seguir, o Desenho.

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