15 de out de 2010

O Que Esperar do Crocodilo

O boato está rolando pela internet (o que é de praxe). Killer Croc, ou simplesmente Crocodilo, estará na continuação de Batman: The Dark Knight. Isso me trás uma preocupação. Que rumo tomará a franquia Batman? Desde o princípio, Cristopher Nolan nos trouxe uma visão palpável do homem-morcego. A começar, deu um toque realista ao uniforme do herói, uma armadura herdada dos filmes de Tim Burton que agpra é formada do material conhecido como kevlar. Criou o Batmóvel dos sonhos. Usou diversas artes marciais, entre elas o Ninjutsu, e anos de treinamento para explicar a invencibilidade de Batman, tudo paltado nas HQs, principalmente Batman: Ano Um. Conseguiu trazer para a realidade um personagem que é literalmente imortal nos quadrinhos, Ra's Al Ghul. Está claro que a proposta é ter um personagem crível, já que, não tendo superpoderes, é um homem comum com uma fantasia enfrentando criminosos, algo que pode acontecer em qualquer cidade do mundo real (ainda mais se considerarmos que polícia, bombeiros, médicos e outros grupos usam uniformes para ajudar as pessoas, não é algo tão distante assim).


Temos no primeiro filme, Batman Begins, a origem do morcego e seus motivos para sair por ai à noite quebrando mafiosos. O primeiro vilão é o Dr. Crane, conhecido hoje em dia como Espantalho, um dos vilões clássicos da extensa galeria de lunáticos do morcego e, no longa, responsável pelo Asilo Arkham. Ele usa substâncias retiradas de uma flor azul para criar um alucinógeno que usa como arma. Traçando um paralelo com a vida real, é algo totalmente plausível ter um gás alucinógeno como arma. Após o 11 de Setembro, foi muito falado e extremamente temido o uso do Antrax, uma poderosa arma química que estaria sendo usada pelos terroristas.
O segundo vilão foi Ra's Al Ghul. Nas HQs ele é um personagem imortal, literalmente, como já falamos. Como, então, inserir um personagem essencialmente místico em um cenário de realidade? Tornando-o um mito, como o próprio Ra's ensina no filme. A origem de sua imortalidade seria na verdade o fato de as pessoas nunca conhecerem o verdadeiro sr. Al Ghul, e sim sósias. Sendo assim, se um sósia morre, surge um novo sósia, dando a impressão que ele de fato, não morre. Muitas pessoas acham que houve apenas um unico César no império romano, quando na verdade se tratava de um título imperial.

Há também o mafioso Carmine Falcone, presente na HQ O Longo Dia das Bruxas, que conta a origem do Duas-Caras (falaremos à frente). É mais um dos vilões que, apesar de não ser um dos clássicos, se mantém como "dentro da realidade". Meio que imperceptível está o Sr. Zsasz, outro lunático das HQs que se encaixa em muitos estereótipos da vida real.

Na sequência, Batman: The Dark Knight, encontramos o maior vilão do Batman e um dos maiores da história dos quadrinhos. Heath Ledger nos presenteia com a mais memorável interpretação do Coringa de todos os tempos. Ele é o lunático real. O cara que causa medo com sua maquiagem sombria, facas, explosivos e planos mirabolantes. Nada sobre-humano. Apenas sua lógica anárquica. Um homem louco fazendo coisas loucas só pra provar que sua visão doentia está certa, muito de sua construção veio da HQ A Piada Mortal, escrita por Alan Moore. No mundo real existem pessoas assim, loucos que tomam atitudes fora dos padrões da sociedade. (Só que o Coringa vai um pouquinho mais além...)

Apresentado de forma quase tão magistral quanto o Coringa, está o Duas-Caras. O promotor público Harvey Dent indo da luz às sombras conforme a tragédia invade sua vida. Acreditava na justiça e que Gotham ainda podia ter salvação, foi vítima da insanidade do Coringa, se tornou um assassino frio que conduz suas ações jogando sua moeda ao alto. O que é mais brilhante no surgimento do Duas-Caras não é apenas sua história baseada na excelente HQ O Longo Dia das Bruxas, mas também seu visual. Diferente do chiclete mastigado do longa "Batman Forever" de Joel Schumacher, Nolan nos trás um homem com o rosto deformado pelo fogo que se recusou a tratá-lo. E comum ver nos noticiários sobre pessoas ligadas a política que se corrompem e caem no crime, recorrendo ao assassinato para resolver seus problemas.

Assim como no primeiro filme, há também criminosos menores, como Salvatori Moroni, também presente em O Longo Dia das Bruxas.

 Bom, se for confirmado no filme, o Crocodilo marcará a retirada do "pé na realidade" que os filmes desta franquia Batman nos apresentaram. Até então, o que temos são homens comuns que enlouqueceram e cometem crimes por conta disso. Ainda faltam muitos vilões clássicos para serem apresentados. Entre os cotados para vilões no terceiro longa, foram citados Charada, Pinguim, Mulher-Gato e até uma substituição de Heath Ledger como Coringa, além do aparecimento de Dick Grayson, o primeiro Robin. Se estes fossem apresentados primeiramente neste fim de arco, conforme o próprio Nolan já declarou, seria o fechamento perfeito para uma trilogia do morcego usando personagens convincentes. Killer Croc pode até ser um personagem clássico, mas nem de longe figura entre os mais queridos do universo de Gotham. É a mesma questão que os filmes do Homem-Aranha passaram recentemente quando tinham que escolher o vilão para o quarto filme (quando ainda era o quarto filme e não um reboot). Queriam colocar o Abutre como adversário do cabeça de teia. Um vilão dos mais desconhecidos do grande público e um dos mais sem graça (em minha humilde opinião de merda, como diriam os MRGs). O Crocodilo não figura entre só entre vilões desconhecidos do grande público, mas também entre aqueles que possuem um quê de fantasia, como Sr. Gelo, Hera Venenosa e Solomon Grundy. Isso não é, necessariamente, um grande problema, mas excede a proposta inicial da nova franquia Batman, que resgatou muitos fãs da mais sombria caverna (este que vos fala se insere em tal grupo) a não ser que o Crocodilo seja crível, e não mais um monstro em CG tosca como já estamos cansados de ver por aí.

Se fosse minha a responsabilidade de trazer ao mundo este 3º longa, eu exploraria os maiores vilões (também os mais críveis) e fecharia uma trilogia. Então, preparia mais 3 filmes para apresentar o resto do universo, assim como a Batgirl e tantos outros personagens que amamos. Mas quando todos estavam decepcionados com Batman no cinema, Nolan nos trouxe o Begins e o Dark Knight com maestria. Pelo resultado que teve, merece não apenas um, mas 1000 votos de confiança. Cristopher Nolan, seja o diretor que esperamos e nos presenteie com mais uma obra-prima.

Renan Passos

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