8 de out de 2010

Na Floresta Escura

Capítulo 1: Na Floresta Escura

Os pequenos galhos húmidos quebravam enquanto os dois corriam pela floresta. Suas pernas doíam e suas respirações ofegavam já há algum tempo. As armaduras, revestidas com prata e ouro, dificultavam ainda mais sua fuga. Talvez se tropeçassem, não mais levantariam, pois o cansaço os deixaria vulneráveis a seus perseguidores.

Ambos eram cavaleiros encarregados da proteção direta do rei em sua viajem rumo às terras gélidas do Sul. Se depararam com um trecho maltratado e esquecido da estrada no qual a floresta já havia engolido. Alguns sabiam que talvez não seria uma boa idéia usar aquele trecho, sugerindo um desvio pelas planícies, mas o capitão da guarda era um tolo que insistia em mostrar ao rei o quanto poderia fazer caso fossem atacados. Mal sabia que ao tomar aquela estrada, estaria pondo a todos em perigo. Assim, com sua voz grave como um trovão, ordenou que todos seguissem. A carruajem real ia protegida por todos os lados por homens à cavalo armados com lanças, arcos e espadas, tornavando inacessível a qualquer um se aproximar da importante figura que aquelas pessoas guardavam. Os minutos passavam lentamente e a quantidade de árvores ia aumentando a mesmo tempo em que encurtavam o espaço para que o sol entrasse. O que antes parecia um pequeno trecho isolado de floresta se mostrou um grande e cada vez mais escuro espaço onde não se podia ver a estrada. A grama havia crescido, escondendo o caminho correto. A esta altura, retornar seria perda de tempo, então, a decisão foi seguir.

Os 20 homens à cavalo agora iam em pares formando fila pois o espaço era curto e não permitia que cercassem a carruajem. 5 duplas à frente e 5 duplas atrás. para Não mais vendo o caminho ou a luz do sol para se guiar rumo ao Sul, simplesmente decidiram seguir para frente onde o espaço os permitisse andar. Agora perceberam que não havia mais estrada há muito tempo e sim a floresta. O rei se aborreceu e ordenou que parassem. Duas duplas desceriam de suas montarias e andariam pela floresta para procurar uma saída. Entre eles, Vaughan. Foram pela direita do que seria sua estrada. Caminharam muitos metros e perceberam que não haveria como sair dali que não fosse fazendo o caminho de volta. Mesmo com o imenso atraso na viajem, o que importava era a segurança de seus homens e a do rei. Quando decidiram finalmente voltar, perceberam que a terra tremia. Um som podia se ouvir vindo da direção de onde deixaram seus companheiros. A reação instantânea dos quatro foi correr. Estaria em risco a segurança de Vossa Majestade? Se aproximavam mas o som também ia se perdendo entre as árvores velhas e sombrias. Voltaram ao ponto de partida e encontraram os corpos dos outros cavaleiros. Alguns derrubados por flechas em seus peitos, outros sem suas cabeças e outros simples e assustadoramente partidos ao meio. A carruajem real estava destroçada. Procuraram, tristes, pelos restos do rei, mas nada encontraram. Quem os teria atacado de maneira tão horrenda? Vaughan caiu de joelhos. Estava aterrorizado com o que via. Seus amigos, os melhores guerreiros que conhecera haviam tombado diante de um inimigo que esconde nas profundezas da floresta.

Continua...

Renan Passos

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